AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO
Texto Áureo: Gl. 5.16 – Leitura Bíblica: Gl. 5.16-26
INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos a respeito das obras da carne e o fruto
do Espírito. Como cristãos, devemos andar no Espírito, e não satisfazer
as obras da carne. Na aula de hoje, contextualizaremos essa passagem
bíblica, destacando que foi escrita para os crentes da Galácia, a fim de
que esses trilhassem o caminho da verdadeira santidade. A princípio,
enfatizaremos o objetivo da escrita dessa Epístola por Paulo, em
seguida, sua defesa contra as obras da carne, e a favor do fruto do
Espírito.
- AOS CRENTES DA GALÁCIA
A Epístola aos Gálatas foi escrita por Paulo, aproximadamente no ano
49 d.C., em Antioquia, antes do Concílio de Jerusalém, no ano 50. d. C. O
objetivo central dessa é refutar os judaizantes, que ensinavam os
crentes gentios a obedecerem a lei judaica, a fim de obterem a salvação.
O Apóstolo destaca que os crentes foram libertos por Cristo, por isso,
deveriam permanecer firmes nessa liberdade, e não deviam se colocar
debaixo do jugo da servidão (Gl. 5.1). A controvérsia judaizante
precisava ser refutada, considerando que o retorno ao legalismo judaico
poderia comprometer os princípios do evangelho. Paulo é enfático, caso
os crentes substituíssem o evangelho por normas legalistas, estariam
retornando a rudimentos antigos. Por isso chama a atenção deles:
“maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à
graça de Cristo para outro evangelho” (Gl. 1.6). E acrescenta: “ainda
que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que
já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gl. 1.8). Como alternativa a um
padrão de vida anomistas (sem considerar normas) ou legalista (com
normas humanas), o Apóstolo aponta como alternativa a vida no Espírito.
Ele explica: “vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis,
então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos
outros pela caridade” (Gl. 5.13). Isso acontece porque há um antagonismo
dentro de cada pessoa, pois “a carne cobiça contra o Espírito, o
Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não
façais o que quereis” (Gl. 5.17). Segundo Paulo, andar em Espírito, e
não cumprir os desejos desenfreados da carne, é a alternativa
revolucionária. Isso porque, diz ele, “se sois guiados pelo Espírito,
não estais debaixo da lei” (Gl. 5.18).
- CONTRA AS OBRAS DA CARNE
Antes de destacar as obras da carne, faz-se necessário explicitar
biblicamente, com base no texto original em grego, o significado do
termo “carne”. A palavra sarx é utilizada com bastante diversidade no
Novo Testamento, pode significar, por exemplo, a parte material, que
envolve ossos e carne, como a expressão “espinho na carne”, em II Co.
12.7. Nesse sentido, está relacionada ao corpo de alguém, em Ef. 5.29,
Paulo diz que o esposo deve cuidar da esposa, como da sua própria carne.
Nesse contexto, o sentido do termo não é negativo, considerando que o
próprio Deus se fez carne (Jo. 1.14). Mas é preciso considerar que
existe um uso negativo dessa palavra no Novo Testamento. Na teologia
paulina, a sarx pode também se referir à natureza humana caída, que se
pauta pelos interesses deste mundo (I Co. 1.26), por isso há uma
oposição direta entre a vida no Espírito, e aquela fundamentada na carne
(Rm. 8.4). As obras da carne são elecandas por Paulo em Gl. 5.17, pois
essa se opõe ao que é espiritual, tornando seus adeptos escravos do
pecado. Jesus destacou que aqueles que pecam se tornam servos do pecado
(Jo. 8.34). Por isso, se o Filho, que é o próprio Cristo, nos libertar,
verdadeiramente seremos livres (Jo. 8.36). E essa liberdade acontece por
meio de uma vida comandada pelo Espírito, não se trata de mera
religiosidade. Conta-se a história de uma senhora que tinha um cãozinho,
que costumava morder a vizinhança. Deram-lhe a ideia de fazer uma
focinheira, para que o animal não mais causasse problemas. De fato, ele
deixou de correr morder os vizinhos, mas não perdeu o hábito de correr
atrás. Assim acontece com aqueles que andam na carne, cada vez mais se
tornam dependentes dos seus desejos desenfreados. A religiosidade humana
é incapaz de fazê-lo, a mudança de comportamento se dá através da
produção do fruto do Espírito.
- A FAVOR DO FRUTO DO ESPÍRITO
A palavra espirito – pneuma em grego – também apresenta vários
significados, dependendo do contexto. Pode significar vento, sopro, bem
como espírito e Espírito, podendo se referir a um fenômeno da natureza,
ao espírito que está no homem, criado por Deus, ou ao próprio Espírito
Santo, que é Deus. Em Gl. 5.22 Paulo introduz o fruto do Espírito – ho
de karpos tou pneumatos – não é no plural, como se costuma afirmar
equivocadamente: “os frutos do espírito”. Trata-se de um fruto, e dos
seus vários gomos, ou para ser mais específico, suas várias virtudes. As
obras da carne são: adultério (moikeia), fornicação (porneia), impureza
(akatarsia), lascívia (aselgeia), idolatria (eidolatreia), feitiçaria
(farmakeia), hostilidade (okthra), contenda (eris), ciúme (zelos), ira
(thumos), intriga (eritheia), desunião (dikostasia), sectarismo
(haireses), inveja (phthonos), homicídios (phonos), intoxicação (methe),
orgias (komos), e “coisas semelhantes a essas” (Gl. 5.21). Mas o fruto
do Espírito é: amor-sacrificial (ágape), alegria divina (chara), paz
interior (eirene), paciência nas tribulações (makrothumia), gentileza
(chrestotes), bondade (agathosine), fidelidade (pistis), humildade
(praotes), autocontrole (agkrateia), “contra essas coisas não há lei”
(Gl. 5.23). Quando o Espírito produz em nós o Seu fruto, somos
conduzidos à santidade, sem que isso se torne um fardo. Certo jovem
questionou seu pastor que estava lutando contra forças antagônicas
dentro dele mesmo. E estava com receio de que viesse a perder essa luta,
e gostaria de saber o que fazer. De pronto, o orientou para que
alimentasse o espírito, pois na luta entre esse e a carne, venceria
aquele que estivesse mais preparado. Andar no Espírito é uma disposição
espiritual, diz respeito à condição de se colocar debaixo da direção de
Deus.
CONCLUSÃO
Aqueles que estão na carne, destaca Paulo na Epístola aos Romanos,
não podem agradar a Deus (Rm. 8.7,8). Portanto, como seguidores de
Cristo, somos chamados a desenvolver o caráter dEle, e isso somente é
possível quando deixamos que o Espírito Santo produza Seu fruto em nós.
Essa tarefa é continua, e não acontece repentinamente, tem a ver com
disciplina espiritual – piedade (eusebeia) – investimento em um
relacionamento duradouro com Deus, através da oração e meditação na Sua
Palavra.
BIBLIOGRAFIA
BARKLAY, W.
As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 1988.
OLIVEIRA, F. H. T. de.
As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016.
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