quarta-feira, 24 de maio de 2017





Como é importante ter esperança e paciência, cultivando uma vida de oração.
A esperança nos faz olhar pra a frente e aguardar a vitória. Ela é motivo de alegria. Enche nosso coração de ânimo, é combustível que nos faz avançar. Nos guarda do cansaço e nos direciona ao sucesso.
E a paciência? A paciência nos mantém firmes e seguros, tranquilos mesmo nos sobressaltos da vida. Ela nos dá força para aguardar silenciosamente cada luta, evitando decisões precipitadas e desastrosas. A paciência trás em seu colo a fé e a sabedoria. E nos ajuda a aguardar a ação de Deus em nosso favor.
Já a oração nos mantém acesos em nossa comunhão com o Senhor.
Na oração aprendemos, somos renovados, consolados, edificados. Na oração desabafamos nossas mágoas, avançamos espiritualmente, ouvimos a voz de Deus.
Possamos observar a profundidade das palavras do apóstolo Paulo quando escreveu à igreja: "Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração."
Ouvindo esta exortação estaremos aptos a vencer desafios! E não desistiremos seja qual for o obstáculo à nossa frente!
Diante das tempestades da vida: Apegue-se a oração, isto fortalecerá teu interior que se alegrará na esperança e te capacitará a encarar a tribulação e as pressões da vida com garra e persistência!
Shalom!

terça-feira, 21 de março de 2017

 

ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA HÁBITO DA VELHA NATUREZA


1º Trimestre/2017

Texto Base: João 16:20-24

"Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos" (Fp.4:4).


INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre sobre as Obras da Carne e o Fruto do Espírito, estudaremos, a partir desta Aula, as virtudes do Fruto do Espírito. Nesta Aula, estudaremos a Alegria, virtude do Fruto do Espírito, e a Inveja, obra da carne. A Alegria, aqui, nada tem a ver com a ideia mundana de emoção alegre, efêmera, que está presente nos bares, nas casas de festas, nos shows deste mundo. Do grego “chara”, a Alegria (ou gozo) é uma confiança festiva independentemente das circunstâncias adversas. A Inveja é o contraponto à felicidade alheia. A pessoa invejosa não se contenta em ver o outro se desenvolver, obter sucesso e respeito pela atividade reconhecidamente exitosa pelos seus pares. Completamente oposta à Alegria, a Inveja só traz incertezas, falta de esperança, desajuste emocional e espiritual. Portanto, há um claro contraste entre a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, e a Inveja como elemento da Velha Natureza. Veja, a seguir, um quadro demonstrativo, extraído da Revista Ensinador Cristão:

ALEGRIA
INVEJA
- É um estado de graça e bem-estar espiritual.
- É um estado de desgraça e mal-estar espiritual.
- Sua fonte é Deus.
- Sua fonte é o Diabo e o “ego”.
- Está interligada à nossa comunhão com Deus.
- Está interligada com a ruptura de nosso relacionamento com Deus.
- Nos estimula a ter bom ânimo.
- Nos estimula a ter um ânimo dobre.
- Nos estimula a servir a Deus e ao próximo.
- Nos estimula a servir aos nossos próprios interesses.
- Há felicidade em ver o outro bem-sucedido.
- Há ódio e amargura em ver o próximo bem-sucedido.
- É um sentido nobre.
- É um sentimento perverso.

I. ALEGRIA, FELICIDADE INTERIOR

O crente salvo tem a verdadeira Alegria dentro de si, pois “...o Fruto do Espírito é: ...Alegria [gozo]...”. Esta alegria gerada pela ação do Espírito Santo, fará sempre, independente das circunstâncias externas e adversas, com que o crente possa fazer suas as palavras de Maria: “...a minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc.1:46,47).

1. A Alegria do Senhor. A Alegria, como Fruto do Espírito, não está relacionada às circunstâncias e não depende dos bens materiais. Foi o que Paulo quis dizer quando escreveu aos Filipenses: “alegrai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp.4:4). Veja que o apóstolo Paulo nos ensina que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, independe das circunstâncias externas. Paulo diz: “alegrai-vos sempre”. Paulo quer dizer que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito Santo, é ultracircunstancial. Porque está alegre, estar feliz quando tudo está bem, até o ateu consegue. O desafio é ser a pessoa feliz apesar das circunstâncias adversas. Isto porque a Alegria do cristão não é apenas a presença de coisas boas ou ausência de coisas ruins. Veja que o apostolo Paulo quando escreveu a Epístola aos Filipenses não estava hospedado num hotel de luxo em Roma, mas numa prisão, algemado, no corredor da morte, na antessala do martírio, com o pé na sepultura, com a cabeça debaixo da espada de Roma.

O apóstolo Paulo diz, ainda, neste texto de Fp.4:4, que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, não é um sentimento, é uma Pessoa; a Alegria do cristão é Jesus. Por isso Paulo diz assim: “alegrai-vos... no Senhor”. Quem tem Jesus, experimenta essa verdadeira Alegria. Quem não tem Jesus, pode ter momentos de alegria, mas não a Alegria verdadeira. Se você tem Jesus você é uma pessoa feliz, se você não tem Jesus você não é uma pessoa feliz. Neemias declarou: “a Alegria do Senhor é a nossa força” (Ne.8:10).

Todavia, você não precisa ser um bom entendedor da alma humana para perceber um fato: nem todos os crentes em Cristo Jesus estão desfrutando desta Alegria genuína, verdadeira, profunda, que o apóstolo Pedro diz ser “indizível e cheia de glória” (1Pd.1:8). Basta você olhar para o semblante de alguns crentes, conversar com eles, observar a conversa deles, você notará uma auréola de tristeza em seus rostos. E a pergunta é: o que esta acontecendo? E a resposta, talvez, possa ser clareada com o fato narrado em 1Samuel 30, lembram-se? A Alegria de Davi foi roubada.

Quando Davi chegou à cidade de Ziclagle, viu a cidade saqueada, queimada, ferida. E diz a Bíblia que os amalequitas levaram consigo os seus filhos, suas filhas, mulheres. E quando Davi viu aquela cena ele chorou até não ter mais força para chorar. Ele muito se angustiou. Seus companheiros de batalha queriam matá-lo. Mas diz a Bíblia que ele se reanimou no Senhor seu Deus e fez uma oração com apenas duas perguntas: “perseguirei eu o bando? Alcançá-lo-ei?”. E Deus disse a Davi: persegue o inimigo Davi porque tudo o que ele tomou de você, você vai trazer de volta! Em outras palavras, talvez você teve sua alegria saqueada, roubada, espoliado, mas hoje você pode tomar de volta aquilo que foi roubado de você, espoliado de você.

A orientação de Paulo é que, todos os nossos problemas, todas as nossas dificuldades e necessidades, devem ser colocados diante de Deus em oração: “... em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração...” (Fp.4:6b). Portanto, a oração é o nosso canal natural de comunicação com Deus. Através dela, nós devemos abrir o coração diante d'Ele, com relação a todo tipo de desconforto e necessidade, apresentando minuciosamente a Ele, cada questão, de todas as que nos perturbam a alma.

Deus quer que você seja muito feliz, abundantemente feliz, superlativamente feliz, eternamente feliz! Portanto, “alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos”. Lembre-se, a maior Alegria do crente está no fato de que seu nome já foi escrito no Livro da Vida e que Jesus em breve voltará.

2. A fonte da nossa Alegria. A Alegria, que é Fruto do Espírito Santo, tem sua origem em Deus, e é Deus quem a coloca em nosso coração (Sl.4:7) e, por isso, não depende dos fatos que ocorrem à nossa volta, das circunstâncias, nem se abala com o que pode acontecer conosco, pois esta Alegria é o próprio Deus que habita em nós (Sl.43:4). É um verdadeiro óleo com o qual somos ungidos pelo Senhor (Sl.45:7). Jesus veio trazer esta Alegria, este óleo de gozo para substituir a nossa tristeza do tempo em que vivíamos em pecado (Is.61:3). Mas que operações divinas trazem Alegria ao homem? Cito apenas três:

a) A Salvação. A salvação gera no crente uma Alegria espiritual permanente, que não se acaba e que só tende a aumentar, assim como a nossa vida com Cristo, que, sendo uma vida, impõe um crescimento contínuo. A forte impressão de prazer trazida pela regeneração, pelo novo nascimento tem de aumentar a cada passo de nossa comunhão com Cristo, pois, se buscarmos mais a Deus, certamente seremos cada vez mais ungidos com o “óleo da alegria”, ou seja, teremos cada vez mais intensa comunhão com o Senhor, numa proximidade com Deus (Tg.4:8a), que só nos fará aumentar esta Alegria. Davi quando sentiu que não mais tinha comunhão com Deus, porque pecara contra Ele, pediu ao Senhor que lhe tornasse a dar “a alegria da salvação” (Sl.51:12). Nenhum crente salvo pode viver sem esta Alegria. Ela é o fim de nossa fé – “obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma” (1Pd.1:9).

b) A presença de Deus. A Alegria é a bandeira que tremula na torre do palácio quando o rei está presente. A presença de Deus é um elemento que aumenta ainda mais a Alegria do salvo. Quando o crente mantém uma vida devocional intensa, quando mantém uma vida de oração, uma vida de meditação na Palavra do Senhor, naturalmente que ganha maior intimidade com Deus, intimidade esta que é uma necessidade na nossa vida espiritual (Mt.6:6-8).

Sejam quais forem as circunstâncias externas que possam nos fazer sofrer, sentir tristeza, e até chorar, pelo Fruto do Espírito formado em nós, tem que emanar Alegria capaz de inundar nossa alma, pois “...na presença do Senhor há abundância de alegria...” (Sl.16:11). O próprio Deus é a fonte de toda a Alegria (Lc.1:47; Fp.4:4).

c) A bênção de Deus. No Salmo 126:3 está escrito: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres”. Quando recebemos bênçãos de Deus é motivo de Alegria. Diante daquilo que Deus nos tem feito, somos gratos e a manifestação mais propícia para o sentimento de gratidão é a Alegria. Quem é grato é alegre. O Louvor, que é uma expressão de Alegria, é filho da gratidão.

II. OS RESULTADOS DA ALEGRIA DO ESPÍRITO

1. Rosto radiante – “O coração alegre aformoseia o rosto...” (Pv.15:13). A Alegria, como Fruto do Espírito, é uma Alegria interna, que opera na alma e que mantém estreita comunhão com Deus e que faz com que um crente salvo, ainda que tenha um semblante sério, que seja introvertido, de pouco riso, e até “carrancudo”, se torne uma pessoa agradável, que irradia felicidade, uma bênção para quem convive com ele.

2. Cântico de Alegria. O louvor é resultado da Alegria espiritual. Afirma o apóstolo Tiago: “Está alguém contente? Cante louvores” (Tg.5:13b). O louvor provém de Deus (Rm.2:29) e só será apropriado e destinado ao Senhor por um homem que tenha alegria espiritual. Quem está alegre, louva ao Senhor, como nos provam vários exemplos bíblicos, como Davi, Maria, Jesus, Paulo e Silas, entre tantos outros.

O louvor é uma expressão de alegria espiritual, é consequência de uma vida de comunhão com Deus. Costumeiramente, nas Escrituras Sagradas, as expressões de alegria se fazem acompanhar de louvores (cf. 1Sm.18:6; 1Rs.1:40; 1Cr.15:16; 2Cr.23:18; 2Cr.29:30; 2Cr.30:21; Ne.12:27; Sl.59:16; Sl.100:2; Is.30:29; Jr.33:11). Por isso, o verdadeiro louvor é aquele que, em sua melodia e letra, exaltam a Deus, têm a Deus como centro e não buscam a agitação do corpo, pois é o resultado da Alegria espiritual, uma das qualidades do Fruto do Espírito que estão diretamente ligados ao relacionamento entre Deus e o homem.

3) Força divina. “...não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força” (Ne.8:10). Na vida de um verdadeiro crente só o pecado será capaz de roubar a Alegria de sua alma, visto que a Palavra de Deus diz, que “... o fruto do Espírito é: Alegria...”. Paulo escrevendo aos crentes de coríntios, declara: “Como contristados, mas sempre alegres...” (2Co.6:10). Contristados e Alegres, parece contradição. Contristar significa estar muito triste, aflito. Nesta condição, como pode alguém estar alegre? Para o homem sem Deus não pode, mas, para o crente fiel, pode. Ele pode estar “contristado”, no corpo, mas, alegre, no espírito.

No tempo de Neemias, literalmente, ninguém podia estar triste na presença do Rei (Ne.2:1). Mas, naquele dia, Neemias estava triste! - “E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então, temi muito em grande maneira” (Ne.2:2). Neemias tinha razão em temer! Um copeiro com um problema tão grande capaz de refletir, negativamente, no seu próprio semblante, podia ser uma ameaça à vida do próprio rei. Eram poucas as pessoas de confiança que podiam ficar, a sós, com o rei. Neemias era uma delas. Podia perder não apenas o cargo, como também a própria vida. Assim, o homem de Deus, mesmo que esteja com “o coração sangrando”, quando ministra diante do Altar, e principalmente aos pecadores, eles precisam ver o seu rosto brilhar. Neemias conseguiu reverter o seu estado de tristeza em alegria. A Alegria do Senhor converteu-se em força na vida de Neemias e deu-lhe coragem para reconstruir Jerusalém. E assim, também, a Alegria, que é resultado da força divina, nos encoraja prosseguir em nossa difícil jornada.

III. INVEJA, O DESGOSTO PELA FELICIDADE ALHEIA

“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv.14:30).

1. Definição. A Inveja é definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de outra pessoa. O invejoso se queixa de tudo e de todos, acredita que não conquistará o que o outro possui, não reconhece as suas habilidades e talentos, pois está e vive focado no outro; portanto, torna-se um eterno insatisfeito. O invejoso não tem paz. Que Deus nos guarde!

2. Inveja, fruto da Velha Natureza. A Inveja é um sentimento negativo que pertence à natureza adâmica. Esse sentimento perverso tem a sua origem em Satanás, pois ele tentou usurpar os atributos divinos (Is.14:12-20). Ele permitiu que o orgulho e egoísmo dominassem seus pensamentos e ações, e logo o seu desejo foi o de ocupar o lugar de Deus. Ele queria ser maior que o Todo-Poderoso, porém sua tentativa foi um fracasso e por causa disso foi determinado o seu destino: o lago de fogo e enxofre, ou seja, o inferno (Ap.20:10). O apóstolo Paulo, também, diz que quem tem este sentimento da carne não herdará o reino de Deus (cf.Gl.5:21). Infelizmente, muitos crentes ainda se deixam dominar por esse sentimento e acabam prejudicando a Igreja do Senhor e impedindo até que algumas pessoas se convertam.

A Inveja é um sentimento ambicioso que não permite a pessoa vislumbrar o que está à sua frente nem o que lhe pertence. Por conta disso, pode gerar vingança, crimes, violência, enganos e maus-tratos, tudo pelo desejo de possuir o que o outro tem, de querer estar no lugar dele. A Inveja é um pecado grave; faz parte do rol das obras da carne exarado em Gl.5:19-21; é o tipo mais antigo de pecado e afeta a saúde física, social e espiritual (Pv.14:30).

A excelência, o triunfo e o sucesso motivam a inveja. Ninguém inveja um miserável ou um mendigo; inveja, sim, conquistas, reconhecimento, bens materiais, riquezas, família estruturada, casamento feliz, amizades. É possível invejar um bom carro, um corpo lindo, uma casa maravilhosa, uma saúde de ferro, um cargo alto na hierarquia, um bom marido, uma boa esposa, uma mulher inteligente, o carisma de certas pessoas, etc.

Analise suas emoções, aprenda a admirar e não invejar a prosperidade, o sucesso, ou qualquer feito alheio. Infelizmente, os invejosos só veem o final, não analisam o processo. Para conquistar, é preciso ter vontade, coragem, força, energia, integridade e confiança, percorrendo o caminho até à vitória. As conquistas devem inspirar-nos. O sucesso do outro deve sacudir nosso conformismo e estimular-nos a ser melhores a cada dia, olhando para Jesus, autor e consumador da fé (Hb.12:2a). Seja um eterno admirador dEle!

Você está descontente porque não tem o que deseja? Aprenda com o apóstolo Paulo a confiar nas promessas de Deus e no poder de Cristo (veja Fp.4:11). Paulo se concentrava no que deveria fazer e não no que achava que deveria ter. Paulo tinha as prioridades corretas e era grato por tudo o que Deus lhe dera. Ele havia se separado do que não era essencial, para que pudesse se concentrar no que é eterno.

Se você sempre quer mais, peça que Deus remova esse desejo e lhe ensine o contentamento em cada circunstância. Ele suprirá todas as suas necessidades, mas de uma maneira que Ele sabe o que é melhor para você. Em vez de pensar no que não temos, devemos agradecer a Deus pelo que Ele nos deu, e nos esforçar para ficar satisfeitos. Afinal, o nosso bem mais importante é gratuito e está disponível a todos: a vida eterna, que só é dada por Cristo.

3. Os efeitos da Inveja. A pessoa que permite que a inveja se instale no coração desenvolve uma compreensão equivocada de si e dos outros e nutre um sentimento maléfico de crítica, ódio e perseguição.

Conta-se a seguinte história sobre a inveja. “Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. ‘Porque não suporto vê-lo brilhar’”.

A Inveja pode levar a outros pecados como adultério e assassinato. Na Bíblia Sagrada vemos relatos de alguns casos de homens e mulheres que se deixaram levar pela inveja.

- Caim matou seu irmão Abel (Gn.4:5), apesar da advertência de Deus. Observe a advertência do Senhor para Caim: “Por que te iraste? E por que desmaiou o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”(Gn.4:6,7). Esta advertência do Senhor evidencia o perigo devido ao poder destrutivo e dominador da inveja. A consumação do homicídio não deixa dúvida. Uma pessoa tomada por inveja está vulnerável ao pecado, e dificilmente se livra de seu poder de dominação. O invejoso vai sendo tomado por uma série de outros sentimentos e atitudes, e esse descontrole pode levá-lo a praticar atos absurdos como no caso de Caim, que matou seu irmão. A pessoa que pratica a maldade é naturalmente perversa e está sempre pronta a prejudicar e a ofender o próximo.

- Raquel, mencionada em Gênesis 30:1, teve inveja de sua irmã, Lia, pois esta tinha filhos, e disse a seu marido, Jacó: Dá-me filhos, senão morro. Pessoas morrem espiritualmente por esse sentimento.

- Em Atos 7.9 está escrito que os irmãos de José, movidos de inveja, venderam-no para o Egito. A presença de José os incomodava. Por isso, não sossegaram enquanto não deram um fim nele. Mas, será que eles tinham paz? A história mostra que não. O invejoso não tem paz. O texto de Provérbios 14:30 afirma que a inveja é a podridão dos ossos. Ela mata o seu algoz aos poucos. O invejoso passa o tempo opinando sobre o que o outro tem e julgando, em vez de buscar alcançar seus objetivos.

- Saul, embora tivesse, a princípio, uma disposição favorável a Davi, demonstrou-se depois muito hostil a ele, perseguindo-o com o propósito de o matar. Essa mudança não se deu de uma hora para outra, mas gradualmente, na proporção em que Saul nutria a inveja no coração. Aparentemente, o problema começou quando o aplauso popular desviou-se dele para Davi. Era-lhe muito pesaroso ver o nome de Davi em evidência, e o dele em aparente esquecimento. Por isso, passou a tê-lo como rival e inimigo. Esse problema sempre estará presente onde existirem pessoas com inveja. De Saul podemos compreender que a inveja produz uma série de sentimentos ruins como: autoestima baixa, ódio, suspeita, medo, culpa e ira. Mas a pior consequência é o afastamento de Deus, que Saul infelizmente experimentou.

- Jesus Cristo foi preso e levado a Pilatos por inveja dos sacerdotes (Mt.27:18).

A inveja é obra da carne (cf. Gl.5:21) e somente encontra guarida nos corações daqueles que ainda são dominados pela velha natureza e não pelo Espírito Santo.

CONCLUSÃO

Existem muitos buscando alegria nas coisas do mundo, e da terra, e esta é uma alegria passageira, e por ela, muitos estão pagando um preço tão elevado, que pode lhes custar uma eternidade, sem Deus. Existem outros “fabricando” alegria artificial, por não saberem ou por não quererem pagar “o preço” para obtenção da verdadeira Alegria, como Fruto do Espírito. O segredo da felicidade está em termos comunhão com Deus, por meio de seu Filho, Jesus Cristo. Que a Alegria, como Fruto do Espírito, seja derramada em nossos corações, mesmo enfrentando lutas e tribulações e que jamais venhamos permitir que a Inveja tenha lugar em nossos corações.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Antônio Gilberto. O Fruto do Espírito. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Alegria: Fruto da Graça.PortalEBD_2005.

 

O perigo das obras da carne

Por Eliseu Antonio Gomes

Introdução.

No Novo Testamento, temos a descrição da plena vida no Espírito Santo: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição" - Colossenses 3.12-14.

Os cristãos devem ter uma experiência pessoal da operação do Espírito Santo. Andar no Espírito, momento após momento. Assim são edificados para habitação de Deus no Espírito.
Sem a operação do Espírito Santo na vida do crente, a leitura da Bíblia Sagrada é inútil para a salvação. Sem a ajuda do Espírito, as Escrituras Sagradas são meras palavras sem poder, sem Ele ninguém entende o que Deus nos deu pela graça. O crente deve ouvir a Palavra e ser semelhante ao homem prudente: colocando em prática tudo o que ouvir. Fazendo assim, permaneceremos firmes quaisquer que sejam  as tempestades que possam assolar a nossa vida (Lucas 6.39-49).
O Espírito é Espírito de sabedoria e conhecimento na revelação de quem é Jesus. Por intermédio dEle encontramos a realidade que o Pai enviou o seu Filho por amor a nós, e que o Filho morreu, ressuscitou e voltou a sentar-se à direita do Pai. Porém, sem o Espírito, isto nunca teria se tornado em conhecimento salvífico para ninguém. É apenas mediante o Espírito que os tesouros que temos em Cristo nos são revelados (Efésios 3.3-6).
O Espírito Santo é a prova de que alguém pertence a Cristo, porque o Espírito Santo é o Espírito de Cristo, e Cristo não pode morar nos corações através da fé a não ser pelo Espírito (Romanos 8.9, 14).
I. A vida conduzida pela concupiscência da carne.
1. A concupiscência da carne.

A palavra concupiscência é um termo usado teologicamente para expressar os desejos malignos e libidinosos que assediam as pessoas que vivem em vida pecaminosa. Expressamente, a palavra significa "desejos físicos", diz respeito aos interesses lascivos que dominam a mente humana. É a velha natureza manifestando as ações do velho homem, suas piores ações voluptuosas e abominações.

Carnal: esta palavra aparece somente no Novo Testamento, embora o termo "carnalmente" seja encontrado três vezes no Antigo Testamento. "Carnal" aparece onze vezes no Novo Testamento, e "carnalmente" apenas uma vez. "Carnal" significa "pertinente à carne". O substantivo em grego (sarx) significa basicamente o corpo de um animal ou de uma pessoa, ou a carne de um animal. No entanto, no Novo Testamento, o termo "carnal" algumas vezes está literalmente relacionado à carne, e algumas vezes à antiga natureza humana corrompida por Adão, que é encontrada em todos os homens.

O crente pode desejar algo, isso não é errado, mas desejos que vêm dominados pela concupiscência da carne devem ser evitados, porquanto eles causam grandes estragos. Os desejos que não ferem  em nada a santidade de Deus podem ser cultivados, porém, aqueles que  se comprazem na prática do mal, da libidinagem ou sensualidade, na corrupção, no sexo explícito, prontamente devem ser rejeitados (2 Timóteo 2.22; Colossenses 3.5; 1 Pedro 2.11; 2 Pedro 1.4; 2.10).

2. A vida guiada pela concupiscência da carne.
Algumas pessoas pensam que o mundanismo está limitado ao comportamento exterior - as pessoas com quem nos associamos, os lugares que frequentamos, as atividades que apreciamos. Porém, o mundanismo também atua no interior das pessoas, porque nasce no coração humano.

O homem recebeu de Deus o livre-arbítrio e segue sua própria vontade, e é dominado pelas suas próprias tendências, cobiças e paixões. Muitas indivíduos não levam Deus em conta, pois não se interessam em possuir conhecimento dEle. Mesmo que possuam um pouco deste conhecimento, repudiam toda solicitação de Deus sobre suas vidas. O pecado é a decorrência natural da personalidade dessas pessoas (Gálatas 5.19-21).
3. A vida conduzida pela concupiscência dos olhos.

A grande questão da queda do homem, que o leva a ter um viver que não agrada a Deus, é que ele, vivendo sem caminhar no Espírito, sempre preferirá satisfazer a si próprio (2 Timóteo 3.4), posto que está destituído do amor verdadeiro de Deus, para amá-lo de todo coração e com todas as suas forças, sempre desejando fazer a sua vontade (Deuteronômio 6.4, 5; Mateus 22.35-38).

Na luta entre quem dominará a mente humana, se o Espírito ou a carne, se percebe a necessidade da mortificação da carne, pois quando não há a comunhão com Deus, não existe o compromisso de buscá-lo de todo o coração e mente, o ser humano comporta-se de modo incontrolável, sem qualquer referência de santidade.

A tendência para deixar-se seduzir pelas coisas e situações que o mundo apresenta, sem investigar os seus valores espirituais, é altamente temerária. A visão que Eva teve da árvore proibida, considerando-a "agradável aos olhos", o olhar cobiçoso de Acã, vendo "entre os despojos uma boa capa babilônica", e o olhar lascivo de Davi quando viu Bate-seba banhando-se, são exemplos de pessoas que permitiram a vazão dos apetites carnais. Gênesis 3.6; Josué 7.21; 2 Samuel 11.2.

O apóstolo João, em sua primeira carta, no capítulo 2 e versículo 16, menciona a concupiscência da carne, a concupiscência do olhos e a soberba da vida. É notável que no espaço de três versículos ele cite o mundo, a carne e o diabo (14-16). Ao comentar sobre a concupiscência dos olhos, indica as tentações que nos assaltam, não de dentro para fora, mas do exterior ao interior, através do que observamos.

II. A degradação do caráter cristão

1. O caráter.

Caráter é a expressão do temperamento de uma pessoa, é o agrupamento de traços distintivos de uma pessoa ou coisa, a qualidade que é inerente a alguém, animal ou coisa. É a mescla de traços psicológicos e morais que distinguem um indivíduo ou um grupo de pessoas. É a maneira de ser, ou de se comportar, próprio de um indivíduo.

O indivíduo que experimentou o novo nascimento é caracterizado por um caráter moldado pelo Espírito, possui particularidades psicológicas e morais semelhantes ao caráter de Cristo.

Na degradação espiritual o homem procura colocar-se em primeiro lugar, mostra-se indiferente às coisas santas ou demonstra abertamente ter aversão a Deus, isso porque todo o seu ser está corrompido pela natureza pecaminosa, quer seja no coração, pensamentos, sentimentos e vontade, de modo que seu caráter leva-o a estar em constante inimizade com o Senhor (Efésios 4.18; Romanos 7.18).

O homem pode ter intenções e ações boas em sua vida, mas caso seu caráter não seja transformado pelo Espírito, tudo resultará em obras, e jamais chamará a atenção de Deus. Deus tem prazer em tudo o que fazemos quando nascemos outra vez por meio do sacrifício do seu Filho Jesus Cristo.

2. O caráter moldado pelo Espírito.

Não é fácil preservar o caráter íntegro em Deus. Os convites do mundo são muitos, as propostas são diversas e as tramas realizadas são inúmeras para nos afastar do propósito do Evangelho, em desenvolver a vida segundo a perspectiva do Reino de Deus.

O Espírito Santo mostra ao pecador a necessidade de abandonar as obras da carne para ter o caráter de Cristo; produz o fruto espiritual em nós quando nos rendemos sem reservas a Ele. Isso abrange nosso espírito, alma e corpo e todas as faculdades que os constitui. Além disso, Ele aplica ao coração do homem, ensinamentos cristalinos das Sagradas Escrituras. Por meio desses ensinos é possível viver o dinamismo da vida no Espírito.

A ação dinâmica do Espírito Santo na vida do homem faz com que o homem separe-se daquilo que não agrada a Deus. As Escrituras mostram que Deus é santo e deseja que todos quantos se aproximem dEle sejam santos também (Êxodos 19.22).

Deus estimula o autocontrole, um espírito de generosidade, e o compromisso de servir com humildade. Algo que se torna possível somente por intermédio do Espírito Santo. Por isso, a Palavra de Deus nos diz que devemos levar "cativo todo entendimento à obediência de Cristo (2 Coríntios 10.5).

3. Ataques ao seu caráter.

A narrativa da criação relata como Deus se comunica conosco. O clímax da semana da criação é a criação da humanidade. Deus traz Adão e Eva ao mundo descrevendo-os com seres criados "à imagem de Deus" (Gênesis 1.26, 27). Isso os torna completamente distintos das plantas e dos animais e tudo o que há no universo. O ser humano tem dentro de si o que as Escrituras chama de coração. É ali que o Espírito de Deus se comunica conosco. Ele nos guia, nos estimula, manda-nos mudar de direção. Por esta razão, Salomão escreveu: "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida" (Provérbios 4.23).

O que quer que signifique ser "a imagem de Deus", a narrativa de Gênesis 5 afirma que esta imagem mudou quando o primeiro casal humano pecou e assim corrompeu a raça humana. O pecado distanciou Adão e Eva do Criador, e quando eles formaram sua família, a diferença na descrição de seus filhos é digna de nota: "E Adão tinha cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem" (5.3). A criação do primeiro homem e da primeira mulher se fez à imagem de Deus, mas, quando Adão e Eva se multiplicaram, a reprodução aconteceu de acordo com o estado espiritualmente decaído em que se encontravam.

Ao pecar, o ser humano tornou-se depravado, ficou desprovido da justiça original de Deus e do desejo pelas coisas santas, sua natureza ficou adulterada e cedendo fortemente para o mal. A ênfase da Bíblia é que o homem passe pelo novo nascimento (João 3.3).

O fruto do Espírito é o caráter de Cristo produzido  em nós para que em nosso viver o demonstre ao mundo. Caráter este revelado nos tipos, símbolos, figuras e nas inúmeras profecias messiânicas do Antigo Testamento que tratam do assunto a começar pelos Evangelhos. Infelizmente, muitas pessoas degradam o caráter que um dia foi forjada para a glória de Deus. O apóstolo Pedro nos mostra como isso acontece. O processo não começa da noite para o dia, ele se dá paulatinamente, aos poucos, e quando menos se percebe "o cão voltou ao próprio vômito" (2 Pedro 2.20-22).

Adão e Eva foram criados para ter a conexão e comunicação com Aquele que os criaram. Este plano foi destruído quando o pecado ocorreu, mas essa comunicação foi apenas manchada. A mesma situação é válida para nós hoje. Nós vivemos com a imagem deteriorada e manchada, porém, diferentemente dos animais podemos nos conectar com o nosso Deus, de uma maneira como nossos animais de estimação não têm condições e jamais terão.

O Espírito Santo age em nosso favor, nos ajuda em nossas fraquezas, nos ensina a buscar e a falar com o Criador em oração (Romanos 8.26).
III. Uma vida que não agrada a Deus.
1. Viver segundo a carne.

À expressão agradar a Deus, segundo Paulo, expressa um viver em plena harmonia com Deus, uma vida que de fato já foi transformada ou santificada pelo Espírito Santo. Apenas o indivíduo que tem um espírito contrito, arrependido, que se deixa moldar pelo Espírito Santo, agrada ao Senhor (Salmos 51.17).

O crente que quiser mandar na sua vida e fazer a sua vontade para agradar a si próprio pode continuar transmitindo uma aparência de cristão, mas nunca será vitorioso no seu viver em geral, e nem jamais terá o testemunho do Espírito na sua consciência cristã de que está em tudo agradando a Cristo e realizando a vontade divina.

Há pessoas que procuram, na sua própria força limitada, na natureza humana, viver uma vida admirável. Não reconhecem que necessitam de um poder maior do que a capacidade que possuem, nem o procura. Extraem tudo de si mesmos. Vivem na carne e qualquer poder que possuam é poder carnal. Tudo que fazem, por mais bonito que possa parecer, é produção da carne. Portanto, não conseguem agradar a Deus. Conscientes ou inconscientemente, são inimigos de Deus.

Uma vida que não agrada a Deus vive segundo a carne e é incapaz de produzir o fruto do Espírito. A pessoa que não tem sua mente conduzida pelo Espírito Santo é uma pessoa descontrolada, entregue às concupiscências carnais.

Os cristãos devem entender o perigo das obras da carne e repudiar isso em suas vidas. Para Deus somente a obra não basta, muitas igrejas da Ásia tinham muitas obras, eram atuantes. No caso da Igreja de Éfeso, o apóstolo João mostra que ela tinha muitas obras, mas Deus não aprovou completamente seu trabalho, posto que estava faltando o primeiro amor (Apocalipse 2.4).

A carne está no seu ponto mais perigoso quando finge ser religiosa, como se fosse glorificar a Deus e salvar a alma humana (Gálatas 6.12, 13).  A hipocrisia revestida de religião promove um culto sem renúncia, sem abnegação, cheio de falsa humildade e induz o ser humano ao orgulho denominacional (colossenses 2.23).

Jamais agradaremos a Deus apenas com o que fazemos. Aos que nascerem de novo o Espírito trabalha declarando suas exigências, dizendo para se separarem daqueles que são injustos, dos que ensinam falsas doutrinas (2 Coríntios 6.17, 18; 2 Timóteo 2.21; 2 João 9, 10). O cristão tem que procurar ser diferente, pois já foi separado por Deus para viver uma nova vida em Cristo (Romanos 6.11, 12; 2 Coríntios 7.1; 1 Tessalonicenses 4.3, 7).

A carne é inimiga do Espírito. Portanto, podemos concluir que a carne jamais irá querer agradar a Deus, já que faz oposição ao Espírito constantemente. Assim sendo, é necessário vigiar sempre e manter a disposição de lutar contra a carne. Esta luta não deixa de ser necessária enquanto estivermos no corpo físico. Paulo nos conclama à luta, e devemos nos encorajar mutuamente nela. A carne deve ser vencida a tal ponto que possamos dizer, juntamente com Paulo: "Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" - Gálatas 2.19-20.

2. Vivendo como espinheiro.

Deus seria o rei de Israel, não o homem. Abimeleque, filho legítimo de Gideão, queria usurpar a posição reservada somente ao Senhor. Em sua ambição egoísta, ele matou 69 dos 70 meio-irmãos; sobreviveu apenas Jotão que se escondeu durante a chacina. Após Abimeleque atacar, retornou para Siquém e se autoproclamou rei e juiz.  Três anos mais tarde, Siquém se rebelou ao seu reinado e ele foi assassinado por uma mulher em Tebes (Juízes 8.31 - 9.57; 2 Samuel 11.21).

Jotão, apresenta algumas árvores em uma narrativa alegórica para o seu povo (Juízes 9.7-21). Na parábola, as árvores representam o povo de Siquém que desejam um rei. Essas árvores eram boas: uma produzia azeite que era utilizado na unção dos sacerdotes e iluminação; outra produzia figos que alimentava o povo; a videira produzia vinho, que era usado nos sacrifícios de libações. Entretanto, o espinheiro, arbusto inútil, representa Abimeleque.

Para os dias atuais, a parábola de Jotão alude à necessidade de estabelecer prioridades. Devemos tomar cuidado com os nossos objetivos e meios de alcançá-los, precisamos aprender a viver como árvores frutíferas, que não troca a ação de frutificar por outras atividades estranhas à vontade de Deus (Juízes 9.7-15).

3. Uma vida infrutífera.

Ao refletir sobre a importância de produzir o fruto do Espírito e rejeitar as obras da carne, devemos nos lembrar sobre dois pecados contra o Espírito Santo, cometidos por alguns cristãos: entristecer o Espírito e apagar o Espírito. Quase tudo que fazemos de errado pode ser incluído em uma dessas duas situações. Vejamos:

• Entristecendo o Espírito.

Em Efésios 4.30, lemos que Paulo escreve a seguinte advertência aos seus leitores: "Não entristeçais o Espírito Santo, no qual fostes selados para o dia da redenção". Paulo faz esta advertência aos que são selados pelo Espírito e  fala sobre ações que não combinam  com a natureza do Espírito. diz que o crente está sujeito a cometer determinados atos e entristecê-lo. Tristeza é uma palavra ligada ao amor. É possível magoar e irar alguém, mas entristecer só quem nos ama profundamente.

Como um cristão pode entristecer ao Espírito? Em Efésios 4.20-32 Paulo diz que tudo que não combina com Cristo, em ações, palavras e pensamento, entristece o Espírito da graça. Sabemos o que causa tristeza analisando nossa conduta à luz das palavras que as Escrituras definem o Espírito.
a. Verdade (João 14.17). Tudo que é falso , enganoso e hipócrita entristece o Espírito;
b. Fé (2 Coríntios 4.13). Desconfiança, dúvidas, ansiedade e preocupação entristecem o Espírito;
c. Graça (Hebreus 10.29). Tudo em nós que provoque amargura, seja indelicado, malicioso, e haja indisposição para perdoar, entristece o Espírito;
d. Santidade (Romanos 1.4). Aquilo que é impuro, sujo ou degradante, causa tristeza ao Espírito.
A missão do Espírito Santo é revelar Cristo ao mundo através do cristão, proporcionar alegria, paz e satisfação ao coração. Mas se o crente o entristece, o seu ministério é interrompido.

• Apagando o Espírito.

A breve advertência de Paulo "Não apagueis o Espírito" (1 Tessalonicenses 5.19) dá a ideia de mágoa, de sofrimento. Tem a ver com a maneira com que nós ferimos o coração do Espírito em nossa vida particular. O verbo apagar nos lembra o conceito bíblico de que o Espírito é simbolizado pela figura do fogo. Ao apagá-lo, não o expulsamos, mas abafamos o amor e poder emanados dEle para nós e por intermédio de nós ao próximo.

Um fogo se apaga quando lhe tiramos o combustível. No caso do Espírito, isto acontece se deixamos de orar, falar de Cristo e ler a Palavra de Deus. Um fogo se apaga ao jogar água sobre ele, e de maneira semelhante um pecado intencional apaga o Espírito em nós. Se somos grosseiros, emitimos palavras sem pensar e depreciativas contra os semelhantes, estamos apagando o fogo espiritual.

Todos nós estamos sujeitos a pender ao mal, mas a partir do momento que o Espírito Santo tem o controle sobre a pessoa, dificilmente as obras da carne terão chance de sobressair. A oração e a vida em vigilância são elementos fundamentais para evitar a vida cristã infrutífera.

A falta de fruto é sinal de vida em pecado. O Senhor nos convida a andar no Espírito e manifestar as nove características do fruto do Espírito (Gálatas 5.16-23), para dessa maneira lutarmos e vencermos o estilo de vida religiosa voltado às práticas de diversos pecados. Consideremos que o pecado socialmente aceito e o pecado repudiado por toda a sociedade para Deus tem o mesmo peso e recebe do Senhor o mesmo grau de repugnância.

Conclusão. 

Cristo é o Senhor em todas as áreas de nossa vida. Não há uma só área que não deva ser dirigida e dominada por Ele. O cristão precisa produzir um estilo de vida distinto, que envolve o fruto do Espírito, porque seu alvo é ser como Jesus Cristo (Romanos 8.29). E sendo desse modo, o cristão deve viver em santificação contínua, separando-se daquilo que Deus não aprova. A santificação é um processo em nossa vida que ocorre diariamente, até o dia em que Jesus Cristo se manifestar e os que procedem buscando a santidade logo irão contemplar a Jesus exatamente como Ele é (Filipenses 1.6; 1 João 3.2).

E.A.G.

Compilação:
Abraçado pelo Espírito- as bênçãos incalculáveis da intimidade com Deus, Charles Swindoll, páginas 116-118, 1ª edição 2014, Bangu, Rio de Janeiro (CPAD).
As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente. Osiel Gomes; edição novembro de 2016, páginas 32-39; Bangu, Rio de Janeiro/RJ (CPAD).
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, páginas 332, 333,, edição 2004, Bangu, Rio de Janeiro/RJ (CPAD). 
Lições Bíblicas - As Obras da Carne e o Fruto do Espírito - Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente. Comentarista: Osiel Gomes. 1º trimestre de 2017, páginas 21-24, Bangu, Rio de Janeiro/RJ (CPAD).
O Espírito Santo - Ativando o poder de Deus em sua vida. Billy Graham, páginas 123-127, edição 1995, São Paulo, (Edições Vida Nova).
O Espírito Santo na vida de Paulo, Gordon Chown, edição 1987, páginas 81, 82, 87, 89, 90,125-127, 131, 134, Rio de Janeiro/RJ (CPAD).
1, 2 e 3 João -  Introdução e comentário - Série Cultura Bíblica. John R. W. Scott, página 86, reimpressão 2011, São Paulo (Vida Nova)

 

O PROPÓSITO DO FRUTO DO ESPÍRITO


1º Trimestre/2017

Texto Base: Mateus 7:13-20

"Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Mt.3.8)

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o propósito do Fruto do Espírito, que é provar a verdadeira espiritualidade da pessoa convertida. O Fruto do Espírito representa o que o homem é, fala do seu tempo andando com Deus. A sua formação requer uma vida de entrega nas mãos do Senhor, vida no Altar, vida de renúncia, de consagração, vida de dedicação à Obra de Deus, vida cheia do conhecimento de Sua Palavra.

Quando o ser humano recebe Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida, e mantém uma comunhão intensa com Ele, o Espírito Santo gera nessa pessoa virtudes que refletem o caráter de Deus, que o apóstolo Paulo chama de Fruto do Espírito. O Fruto é gerado na medida em que o Espírito Santo vai transmitindo, ou gravando, no caráter do homem virtudes existentes em Deus, das quais Paulo relacionou nove em Gálatas 5:22, a saber: "amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio". Na verdade essas virtudes constituem o propósito e o alvo de Deus para os crentes quando nos permitimos ao controle irrestrito do Espírito Santo. É o próprio Espírito Santo quem produz em nós essas virtudes. Elas são a maravilhosa descrição do Caráter de Cristo que devemos adquirir dia a dia pelo estudo da Palavra de Deus e comunhão devocional com o Senhor. Somente quando tais virtudes tornam-se perceptíveis em nossas vidas podemos entender o que é ser um cristão cheio do Espírito Santo.

Se dermos lugar ao Espírito Santo e santificarmos nossas vidas, as pessoas verão que Deus está em nossas vidas, pois pelos frutos somos conhecidos. Aliás, um dos propósitos do Fruto do Espirito é nos identificar. Assim como uma árvore é conhecida pelos seus frutos, o crente verdadeiro é reconhecido por suas ações. O Fruto também revela a nossa comunhão e o quanto temos aprendido do Senhor.

I. A VIDA CONTROLADA PELO ESPÍRITO SANTO

1. É uma vida frutífera. Quando o crente não se submete em tudo ao controle do Espírito Santo, ele não consegue resistir e neutralizar os desejos da natureza pecaminosa. Mas quando o Espírito tem esse controle, o crente torna-se igual um solo fértil para o Espírito produzir o seu bendito Fruto descrito em Gálatas 5:22. Somente pelo poder do Espírito o crente consegue sempre vencer os desejos, a cobiça e as inclinações da carne e viver uma vida frutífera.

Um aspecto importante que observamos na botânica é que o fruto é o fim, o término de todo um processo fisiológico, é o resultado de todo um ciclo vital. Desde o momento que a semente germina e passa a formar um novo ser (morrendo, como nos fala Jesus), há somente um objetivo, uma finalidade: a formação do fruto. Portanto, como se vê, o Fruto é o fim, o propósito, o objetivo de todo o processo. Espiritualmente falando, também vemos que o fim último da vida cristã é a produção do Fruto do Espírito Santo. Todo o processo de concessão da vida espiritual tem como finalidade a formação deste Fruto. Jesus foi claro ao afirmar que nos escolheu para que vamos, demos fruto e o nosso fruto permaneça (João 15:16).

Somos de Cristo para que demos frutos para Deus (Rm.7:4). Quem não dá Fruto do Espírito Santo não pode ser mantido no meio do povo de Deus e, por isso, é extirpado dele (João 15:2). Jesus deixou isto bem claro tanto na parábola da vinha (Lc.13:6-9), quanto no episódio da figueira infrutífera, que secou mediante a maldição do Senhor (Mt.21:18-22; Mc.11:12-14). Aliás, é esta a única oportunidade do ministério de Jesus Cristo em que O vemos lançando uma maldição, a demonstrar o quanto desagrada ao Senhor a existência de vidas infrutíferas no meio do seu povo.

Certa feita, Jesus estava com fome e se dirigiu até uma figueira para colher dela frutos. Mateus nos informa que a figueira estava situada à beira do caminho (Mt.21:19). Uma posição estratégica para os que gostam de ser vistos, admirados e elogiados pelos que passam pelas estradas da vida. Aquela figueira era uma árvore frondosa - uma figueira com muitas folhas. Folhas agradam os olhos, mas não servem de alimento. Jesus estava com fome. Jesus era israelita, nasceu e cresceu em Israel, logo Ele sabia que não acharia fruto naquela figueira (cf. Mc.11:13). Mesmo assim “foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando-se a ela não achou senão folhas”. Não achou frutos porque não era tempo de figo. Porém, não gostou de não ter achado e amaldiçoou a figueira - “E Jesus, falando, disse à figueira; nunca mais coma alguém fruto de ti” (Mc.11:14). E eles passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoastes, se secou”(Mc.11:20,21).

Pode parecer estranho o fato de Jesus ter amaldiçoado a figueira por não achar nela fruto - ele sabia “que não era tempo de figos”. O que nos parece é que o Senhor Jesus quis usar aquela figueira para ministrar Lições ao Seu povo.

Lição 1: O Senhor procura frutos, e não folhas (Mt.21:19). O Senhor não se impressiona com nossa “bela folhagem”, com nossa aparência pessoal. Não basta ter aparência; não basta estar à beira do caminho para ser visto, admirado, elogiado. Sem frutos a figueira secará.

Lição 2: Na vida espiritual todo tempo é tempo de dar frutos. Não existe uma Estação própria, um tempo apropriado. O Senhor Jesus se julga no direito de procurar frutos em nós, em todo o tempo.

- Crente tem que dar frutos na Primavera. A Primavera, na vida espiritual, é aquele período quando tudo são flores, quando a temperatura é amena, quando o céu é azul, quando os dias são claros e belos. É quando o crente está em “Elim”, onde existe sombra e água fresca - “... e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras...”( Êx.15:27). Se você, meu irmão, está em “Elim”, e se é primavera na sua vida espiritual, aproveite este tempo para dar muitos frutos para o Senhor.

- Crente tem que dar frutos no Verão. O Verão, na vida espiritual, é aquele período de intenso calor, quando a “areia do deserto” queima nossos pés e o sol abrasa nossas cabeças, quando a água fica racionada, e, às vezes, a própria energia. É aquele período em que de repente o tempo muda e desabam violentos temporais, provocando inundações, vendavais, estragos, prejuízos.

Foi nesta estação em que, de um momento para outro, José foi lançado na prisão, os três hebreus jogados na fornalha de fogo, João exilado em Pátmos. Era verão espiritual em suas vidas, mas, José deu frutos na prisão, os três hebreus deram frutos na fornalha, João deu frutos em Pátmos. Nós, também, podemos dar frutos em nosso verão espiritual.

- Crente tem que dar fruto no Outono. O Outono, na vida espiritual, é aquele período em que a beleza da vida fica ofuscada, as folhas caem, as árvores parecem secas, sem vida. O ânimo fica abatido. Mesmo nesse período de abatimento, frustrações, desânimo, o crente precisa produzir frutos para o Senhor.

- Crente tem que dar fruto no Inverno. O Inverno, na vida espiritual, é aquele período de frieza, quando os dias tornam-se ofuscados, cinzentos. Ser crente no inverno espiritual não é fácil, mas é possível desde que estreitemos nossa comunhão com Deus e deixemos que o calor do Espírito Santo aqueça nossa alma. Mesmo no Inverno o crente precisa produzir frutos para o Senhor.

Aquele mesmo Senhor que procurou figo naquela figueira, sabendo que não era tempo de figo, também procura fruto em nossa vida porque, para Deus, todo tempo é tempo de produzir frutos. Pense nisso!

2. É uma vida que externa santidade. Nós não fomos salvos para somente frequentarmos a congregação, mas para revelar Cristo ao mundo por intermédio de um viver santo, justo, em meio a uma sociedade comprometida pelo pecado (Fp.2:15).

Ser Santo é uma exigência de Deus – “Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Fala a toda a Congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”(Lv.19:1,2). Não é uma exigência do Antigo Testamento e nem é somente para Israel. A mesma exigência foi reafirmada no Novo Testamento e em relação à Igreja: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”(1Pd.1:15-16).

O crente verdadeiro, sincero, genuíno é alguém que se preocupa, a todo instante, em agradar a Deus e, por isso, distancia-se do pecado, do mal e se aproxima de Deus. Tudo faz em suas tarefas diárias para agradar a Deus.

3. É uma vida produtiva. O Senhor Jesus Cristo afirmou: “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8). Dar fruto... dar “muito fruto” é uma condição imposta por Jesus para aquele que quiser ser seu discípulo. Deus não pede o que não temos para dar e que Deus não exige o que não podemos fazer. Assim, se o Senhor Jesus exigiu como condição o dar muito fruto para poder ser seu discípulo é porque ele sabia que o homem podia cumprir esta condição. É claro que o homem natural não pode ser seu discípulo, porque não pode, por si só, cumprir suas condições. Para ser discípulo de Jesus, o homem natural precisa, primeiro, aceitá-lo como seu Senhor e Salvador, precisa nascer de novo, precisa torna-se um homem espiritual.

Todavia, mesmo o homem nascido de novo, não poderia, por si só, fazer a vontade de Deus e cumprir a Sua Palavra. Sabendo disto, Deus Pai, por intermédio de Jesus, enviou para estar com o homem, o Espírito Santo, sobre o qual o Senhor Jesus declarou: “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade...” (João 16:13). Paulo complementou, dizendo: “E da mesma maneira também o Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas...” (Rm.8:26). 

Cristo é a Videira e Deus Pai é o Lavrador que cuida dos Ramos para torná-los frutíferos. Os Ramos são todos aqueles que se decidiram seguidores de Cristo. Os Ramos frutíferos são os verdadeiros crentes que, por meio da união de sua vida com a de Cristo, propiciam a Deus uma colheita abundante. Mas aqueles que se tornam improdutivos, que se negam a seguir a Cristo depois de estabelecerem um compromisso superficial com Ele, serão separados da Videira. Os seguidores improdutivos são como mortos; serão cortados e lançados fora. Estamos frutificando? Somos verdadeiramente salvos?

Podemos afirmar, com absoluta convicção, que, se não nos deixarmos guiar e se não formos ajudados pelo Espírito Santo, não daremos fruto, nem muito e nem pouco! Quem não dá fruto não pode dizer que é discípulo de Jesus. Quem não frutifica, diz o Senhor, é cortado e lançado fora. Não é possível ser crente, ser salvo sem que se tenha uma vida produtiva, sem produzir o Fruto do Espírito.

II. OS PROPÓSITOS DA FRUTIFICAÇÃO ESPIRITUAL

1. Expressar o caráter de Cristo. A partir do Novo Nascimento, o homem passa a ter um novo ambiente, que é o ambiente da comunhão com o Senhor, pois o próprio Senhor vem habitar no crente (Rm.8:9; João 14:23) e isto fará com que seja modificado o seu caráter. Adquirimos um novo caráter, o caráter cristão, que é o que Paulo denomina de “o Fruto do Espírito”, que é idêntico a todos os crentes, resultado da atuação do mesmo Espírito que habita em cada um deles.

O segredo de apresentarmos um caráter cristão e de controlarmos o nosso temperamento para que este caráter se forme e, portanto, que produzamos o Fruto do Espírito, é o de nascermos de novo. O Novo Nascimento é uma necessidade, como o Senhor Jesus deixou claro a Nicodemos, um cidadão de bem, culto, educado e religioso; porém, um homem natural, movido pela sua velha natureza carnal.

A natureza humana, por melhor que possa parecer, não contém os fertilizantes necessários à formação do Fruto do Espírito. Por esta razão o Senhor Jesus foi taxativo, ao declarar que “...na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus... O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:3,6). A expressão “o que é nascido da carne é carne” significa que o que é nascido da carne, ou seja, o homem natural, não importando sua posição social, política, econômica, no seu corpo serão produzidos as obras da carne. Daí a necessidade de uma transformação, de um Novo Nascimento, ou de uma Regeneração. Neste processo, a velha natureza, ou “o velho homem” tem que morrer para que surja um “novo homem”, formado por uma nova natureza – “... o que é nascido do Espírito é espírito”. Isto ocorre no exato momento em que o homem aceita o Senhor Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador, ou seja, no momento de sua Conversão. Nesse instante ocorre uma transformação semelhante àquela que ocorreu em Caná, da Galiléia, quando o Senhor Jesus transformou água em vinho (João 2:1-11).

Ninguém viu e ninguém poderia explicar o que aconteceu ali. A água estava dentro das talhas, e as talhas eram de pedra. Também não houve demora, foi um ato repentino. A água, que num momento atrás era um liquido incolor, insípido e inodoro, sofreu uma transformação, tornando-se um líquido com cor, com gosto e com cheiro. Nada podia fazer lembrar que aquele vinho, momentos antes, tivesse sido água.

O Novo Nascimento significa, portanto, uma mudança completa, total, absoluta – “...se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17).

No exato momento da Conversão o “velho homem” é transformado num “novo homem”. O homem carnal, ou natural, é transformado num homem espiritual, e de forma simultânea, recebe a Regeneração, ou seja, é gerado de novo; a Justificação, pela qual é declarado como se nunca tivesse pecado; é galardoado com a Adoção, tornando-se filho de Deus, recebendo, ainda, a Santificação. Este processo denomina-se Salvação.

2. Abençoar outras pessoas. Na medida em que praticamos boas obras, na medida em que passamos a demonstrar o caráter cristão, estaremos, também, trazendo o bem às pessoas que nos cercam. O crente é sal da terra e luz do mundo e, portanto, iluminará os ambientes que frequenta, como também conservará a pureza ou curará os males do lugar onde está. A Bíblia diz que o crente é a nascente de um rio de água viva (João 7:38) e, como nos ensina a geografia, o rio é um elemento primordial para que se constitua um núcleo humano de habitação, para que se construa uma sociedade, uma comunidade. O crente, portanto, é um elemento que traz a vida para as pessoas, que permite com que as pessoas possam ser despertadas para a realidade da necessidade da comunhão com Deus e com o próximo, mas isto tudo somente pode ocorrer se houver a produção do Fruto do Espírito, sem o que este rio não nascerá, sem o que este rio não será água corrente, mas apenas uma cisterna rota, de água parada, mal cheirosa e produtora de doenças (Jr.2:13).

3. Glorificar a Deus (João 15:8). Por fim, como diz o próprio Jesus, vemos que a presença de crentes frutíferos leva os ímpios a glorificarem a Deus (Mt.5:16). A Igreja, aqui, em perfeita consonância com o Espírito Santo, faz com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus. O trabalho do Espírito Santo é o de glorificar a Jesus (João 16:14), assim como o trabalho de Cristo na Terra foi o de glorificar o Pai (João 17:4). Nós, como corpo de Cristo, temos de prosseguir neste trabalho de glorificação do Pai e isto só será possível através das nossas boas obras.

III. O FRUTO DO ESPÍRITO EVIDENCIA O CARÁTER DE CRISTO EM NÓS

1. O que é Caráter. O Caráter é o traço distintivo de uma pessoa, é a sua marca. Por mais que seja melhorada pelos processos educacionais e éticos, ele será a marca distintiva da natureza do homem. Nicodemos, do ponto de vista humano, era um homem de bom caráter, um homem de bem. Contudo, do ponto de vista de Jesus, como homem natural, ele não estava habilitado a produzir bons frutos. Ele continuava sendo um “espinheiro”. Para produzir “uvas”, precisava de uma mudança em sua natureza. Esta mudança só é possível através do Novo Nascimento. Depois disto, então, o homem poderá produzir “frutos bons”.

O crente que evidencia o caráter de Cristo tem um comportamento, uma conduta diferente dos demais homens, porque tem uma natureza diferente, é de uma espécie diferente. Enquanto o crente é filho de Deus, o ímpio é filho do diabo (João 8:44); enquanto o crente é luz, o ímpio é treva; enquanto o crente tem vida, o ímpio está morto. Portanto, não pode haver comunhão entre o crente e o descrente. Assim, não podemos admitir o discurso de que o crente deve assumir a forma do descrente, até para “ter maior facilidade na evangelização”. Não temos, em absoluto, que tomar a forma do mundo (cf. Rm.12:2), mas buscar transformá-lo.

Devemos analisar as pessoas pelos frutos que produzem, ou seja, devemos verificar quais são as suas atitudes, qual é o seu caráter, não simplesmente o que está aparecendo em torno delas. Não nos preocupemos com os sinais, prodígios e maravilhas que alguém venha a fazer, mas, sim, com a presença do caráter cristão na sua vida. Não nos preocupemos com a vestimenta que alguém está usando, mas com a presença do caráter cristão na sua vida. É pelos frutos que reconheceremos quem é crente e quem não o é.

O caráter cristão permite-nos vislumbrar quem tem, ou não, comunhão com o Senhor e isto é que é importante, pois a comunhão com Deus representa a libertação do pecado e a consequente aceitação por Deus.

Aos religiosos que procuravam João Batista para serem batizados, ele advertia-os, dizendo-lhes: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento... E também, agora, está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada não fogo” (Mt.3:8,10). Por estas palavras de João Batista entendemos que não basta ao homem mudar de Religião, mas, que é necessário uma mudança de vida. Aquele homem “mau caráter” precisa ser transformado num homem de “bom caráter”. Não se trata, pois, de melhorar a qualidade do fruto, mas mudar a sua natureza. Um limão por melhor que seja, será sempre limão, e para ser bom precisa ser azedo. É preciso, portanto, mudar a natureza do fruto, e, não apenas melhorar a sua qualidade – “... toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus-frutos, nem a árvore má dar frutos bons” (Mt.7:17,18). Segundo Jesus, é pela qualidade dos frutos produzidos que se conhece a árvore – “Por seus frutos os conhecereis...” (Mt.7:16).

Pelos frutos é possível saber se o homem mudou de vida, se é, agora, um novo homem, ou se apenas mudou de Religião, e continua sendo o velho homem, envolto com as obras da carne. “Porque cada árvore se conhece pelo seu fruto...”, segundo afirmou Jesus.

2. O Fruto do Espírito evidencia o caráter de Cristo em nós. O Fruto do Espírito é a expressão da natureza e do caráter de Cristo através do crente, ou seja, é a reprodução da vida de Cristo no crente.

O pecado afetou consideravelmente a imagem de Deus em nós levando-nos a produzir as obras da carne. Entretanto através do novo nascimento, Cristo é novamente formado em nós e assim somos transformados constantemente de glória em glória, crescendo na graça e no conhecimento de Jesus Cristo (2Co.3:17,18).

Observe que em Gálatas 5:22 o vocábulo Fruto está no singular, apesar de apresentar nove virtudes. Isto quer dizer que o Espírito Santo produz uma só qualidade de fruto, a saber: AMOR.


“AMOR” é a suprema virtude do Fruto do Espírito. É divino, não se trata de vários tipos, mas vem de Deus, o qual foi derramado em nossos corações (Rm.5:5). Apresenta-se em três dimensões: (a) Dimensão Vertical (Relação com Deus): Amor, Alegria, Paz; (b) Dimensão Horizontal (Relação com o próximo): Paciência, Benignidade, Bondade; (c) Dimensão Interior (Relação com si mesmo): Fidelidade, Mansidão, Temperança.

- Amor (gr. ágape). É o amor divino para com a humanidade perdida (João 3:16). É um amor imutável, sacrificial, espontâneo e que nos leva a amar até os próprios inimigos (Mt.5:46,48).

- Alegria (gozo). É o amor em estado de contentamento. É uma alegria constante na vida do crente, decorrente de seu bem-estar com Deus. Este amor se manifesta inclusive nas tribulações (2Co.7:4; At.13:52).

- Paz. É o amor em estado de quietude. É uma tranquilidade íntima e perfeita, independente das circunstâncias. Manifesta-se em três sentidos: Paz com Deus (Rm.5:1; Cl.3:15); Paz com o próximo (Rm.12:18; Hb.12:14) e; a Paz interior, a Paz que guarda nossos corações e os nossos sentimentos em Cristo Jesus (Fp.4:7). Os ímpios não têm paz! (Is.48:22).

- Longanimidade (paciência). É o amor que suporta a falta de cortesia e amabilidade por parte dos outros (Ef.4:2; 2Co.6:4). É a paciência de forma contínua.

- Benignidade. É o amor compassivo e misericordioso. É o amor agradando. É a virtude que nos dá condições de sermos gentis para com os outros, expressando ternura, compaixão e brandura.

- Bondade. É o amor ajudando. É o amor em ação. É o amor generoso e caridoso. Se antes fazíamos o mal agora Cristo nos capacita para sermos bons para com todos.

- Fé. É o amor em sua fidelidade a Deus (1Pd.1:6,7). Não é apenas crer e confiar. É também ser fiel e honesto, pois Deus é fiel (1Co.1:9). Aqui, o crente se mantém fiel ao Senhor em quaisquer circunstâncias. Descobrimos se temos esta qualidade quando somos desafiados à infidelidade.

- Mansidão. É o amor pacificando. Virtude que nos torna pacíficos, com serenidade e brandura diante de situações irritantes, perturbadoras e desagradáveis. Devemos aprender a mansidão com Jesus (Mt.11:29). Ele se conservou manso diante de seu traidor (1Pd.2:21-23), e curou a orelha do servo do sumo sacerdote que fazia parte dos que tinham ido prendê-lo (Lc.22:51).

- Temperança (domínio próprio). É o amor equilibrando. Deus respeita o nosso livre arbítrio e por isso não nos domina, mas nos guia na verdade. Além da orientação do Espírito Santo contamos com o domínio próprio que atua como um freio contra as paixões da carne as quais vão contra os propósitos de Deus para nossa vida.

Por si só, o homem não tem condições de produzir o Fruto do Espírito. Sua inclinação natural será sempre de produzir os frutos da carne. Como, pois, esse Fruto pode ser produzido? Pelos esforços humanos? De modo algum. É produzido quando os cristãos vivem em comunhão com o Senhor. O Espírito Santo opera um milagre maravilhoso enquanto fixamos os olhos no Salvador em amorosa adoração e quando lhe obedecemos na vida diária. Ele nos transforma para sermos semelhantes a Cristo (2Co.3:18). Como um ramo recebe da videira vida e nutrição, assim também o crente em Cristo recebe toda a sua força da verdadeira vide, e assim ele é capaz de viver uma vida frutífera para Deus.

CONCLUSÃO

Assim como uma árvore é conhecida pelos seus frutos, assim o verdadeiro crente é conhecido por suas ações. Portanto, o propósito do fruto do Espírito é nos identificar, é revelar a nossa verdadeira comunhão com o Senhor. Quando somos cheios do Espírito Santo e permitirmos que Ele trabalhe em nosso caráter, passamos a produzir o Fruto do Espírito, conforme Gálatas 5:22. Busquemos um relacionamento pessoal com Cristo, sejamos cheios do Espírito Santo e produzamos muitos frutos para a glória de Deus.

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Luciano de Paula Lourenço